No dia 5 de setembro de 2026, O Globo, numa matéria originalmente publicada pelo The New York Times, mostrou uma mudança importante dentro das empresas americanas: modelos de IA abertos estão a deixar de ser ferramenta de nicho para programadores e a entrar em produção dentro de grandes empresas.
A AT&T é um dos exemplos mais claros. Durante anos usou modelos fechados da OpenAI e da Anthropic para atendimento ao cliente, transcrição e programação. Este ano começou a trocar parte desse consumo por modelos abertos. Em maio, eles representavam 20% do uso de IA da empresa; agora já são 40%, com possibilidade de chegar a 60%. A empresa diz estar a poupar até 80% nos custos de IA.
E não é só a AT&T. Dados da OpenRouter citados na investigação indicam que os modelos abertos passaram de 10% para 58% do uso de IA nos EUA em apenas um ano. Airbnb e Deloitte também estão entre as empresas que recorrem a estas alternativas.
O detalhe que torna a disputa ainda mais interessante é a China.
Entre os modelos abertos mais utilizados aparecem sistemas da DeepSeek, Moonshot AI e Alibaba. Segundo Jerry Tang, CEO da Atlas Cloud, alguns destes modelos já entregam cerca de 80% a 90% da capacidade dos sistemas mais avançados da OpenAI e Anthropic, custando aproximadamente 20% do preço.
É aqui que o problema muda.
Para muitas empresas, a pergunta já não é:
“Qual é a IA mais inteligente do mundo?”
É:
“Precisamos mesmo de pagar pela mais inteligente para fazer esta tarefa?”
Modelos fechados continuam fortes em tarefas pesadas, como programação complexa e geração avançada de imagem e vídeo. Mas, para processos especializados e repetitivos, um modelo aberto, personalizável e muito mais barato pode ser suficiente.
Há ainda uma nuance importante: a própria OpenAI já entrou no jogo dos modelos de pesos abertos com o gpt-oss, que pode ser executado em infraestrutura própria e adaptado pelas empresas. Ou seja, até quem construiu grande parte do mercado fechado percebeu que esta tendência não pode ser ignorada.
E se o futuro da IA empresarial não pertencer ao melhor modelo — mas ao mais barato que faz o trabalho bem feito?
VOTEUP — Sim. Custo e controlo vão pesar mais do que rankings.
VOTEDOWN — Não. As empresas continuarão a pagar pelos modelos mais poderosos.
Fonte original: The New York Times, reproduzido por O Globo — 5 de setembro de 2026.

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